OBJETIVOS DO PROJETO
O objetivo principal do projeto é o de produzir
informações sistemáticas dos municípios paulistas em relação à Atenção Básica a
partir das bases de dados disponíveis, com vistas ao seu monitoramento. A
partir deste objetivo geral, é possível identificar quatro objetivos
secundários:
·
Selecionar
indicadores para monitoramento da Atenção Básica no Estado de São Paulo;
·
Identificar
grupos de municípios com características comuns entre si, no que se refere aos
indicadores pertinentes ao monitoramento da Atenção Básica;
·
Descrição
das Regiões de Saúde a partir dos indicadores de condições de saúde pertinentes
à Atenção Básica;
·
Desenvolver
sistemática de tratamento dos indicadores de saúde que permita subsidiar a
elaboração e implantação de sistema para monitoramento da Atenção Básica no
Estado de São Paulo
METODOLOGIA
O
projeto foi constituído por etapas sucessivas onde foram selecionados os
indicadores pertinentes à Atenção Básica e identificação de grupos de
municípios com características semelhantes em relação ao comportamento desses
indicadores. Por fim, foi realizada a descrição dos indicadores de condições de
saúde nas Regiões de Saúde.
I.
Seleção
dos indicadores:
Em
um primeiro momento, foi realizada a identificação preliminar dos indicadores
de saúde potenciais para comporem o conjunto de indicadores da Atenção Básica.
Deste modo, foram considerados aqueles presentes na Matriz de Indicadores da
SES-SP e os propostos para o Pacto pela Saúde 2010/ 2011, que pudessem ser
calculados para municípios e que fossem, de alguma forma, relacionados à
Atenção Básica. De um conjunto inicial de 52 indicadores, foram
pré-selecionados 37 indicadores que apresentam os atributos de: confiabilidade, validade, capacidade de discriminação, viabilidade e fonte dos dados. Esses
indicadores foram, assim, submetidos ao Grupo Nominal para a seleção final dos
indicadores. A listagem abaixo apresenta esses indicadores, nas respectivas
dimensões propostas inicialmente:
Dimensão:
Determinantes de saúde
•
Demográficos
1.
Densidade
demográfica
2.
Taxa
de urbanização
3.
Taxa
de crescimento populacional
4.
Percentual
de idosos
•
Sócio-econômicos
5.
Grupo
do IPRS
6.
PIB
per capita
Dimensão:
Condições de saúde
•
Mortalidade
7.
CMI
8.
CM
Neonatal
9.
CM
Pós Neonatal
10.
Coef.
Mortalidade neoplasia de mama
11.
Coef.
Mortalidade neoplasia de colo do útero
12.
Coef.
Mortalidade neoplasia de próstata
13.
Coef.
Mortalidade doença aparelho circulatório
14.
Coef.
Mortalidade causas externas
•
Morbidade
15.
Percentual
de Nascidos Vivos com peso < 1,5 Kg
16.
Percentual
de Nascidos Vivos com peso < 2,5 Kg
17.
Taxa
de incidência de AIDS em menores de 5 anos
•
Integralidade
18.
Percentual
de partos em adolescentes
Dimensão:
Estrutura do sistema
•
Financiamento
19.
Despesa
em saúde per capita
•
Estrutura física
20.
UBS/USF
por 30 mil habitantes
•
Cobertura
21.
Percentual
de pessoas cadastradas no PSF
22.
Percentual
de beneficiários da Saúde Suplementar
•
Recursos Humanos
23.
Médicos
(40 horas) por mil habitantes
Dimensão:
Desempenho do sistema
•
Acesso
24.
Nº
consultas básicas por mil hab.
25.
Cobertura
de vacina Tetravalente em menores de 1 ano
•
Continuidade
26.
%
de Nascidos Vivos com 7ou mais consultas de PN
•
Efetividade
27.
%
de internação por habitante
28.
%
de ICSAB no total das internações
29.
%
de internações por fratura de colo de fêmur (>60 anos)
30.
Taxa
de internação por AVC (30 a 59 anos)
31.
Taxa
de internação por DM (30 a 59 anos)
32.
Taxa
de cesárea
33.
%
de cura de TBC pulmonar bacilífera
34.
Prevalência
de TRS
•
Adequação
35.
Razão
de exames citopatológicos de colo uterino em mulheres de 25 a 59 anos
36.
Proporção
de casos de Doença de Notificação Compulsória encerrados oportunamente
37.
Proporção
de óbitos de mulheres em idade fértil investigados
II.
Estabelecimento
de consenso - seleção de indicadores e identificação das dimensões e
sub-dimensões de análise:
Esta
etapa foi realizada mediante técnica de consenso, envolvendo o grupo de
pesquisa, gestores estaduais e gestores municipais. A técnica de consenso
escolhida foi a de Grupo Nominal
[1]
,
sendo os integrantes do grupo escolhidos a partir dos seus vínculos com o
Conselho de Secretários Municipais de Saúde (COSEMS), a SES-SP e a
Universidade.
Este
Grupo Nominal realizou a seleção final dos indicadores para o monitoramento da
Atenção Básica, a partir dos indicadores inicialmente propostos.
O
Grupo Nominal procedeu também à revisão do modelo lógico, cuja proposição
inicial teve como perspectiva mais geral as proposições contidas no relatório
do PRO-ADESS e em Viacava et al. (2004).
No
processo de seleção dos indicadores, foi realizada a vinculação de cada um
deles às dimensões analíticas propostas no modelo lógico adotado.
As
dimensões e sub-dimensões consensuadas foram:
·
Contexto:
demográfico e sócio-econômico
·
Estrutura do sistema de saúde:
financiamento, estrutura física, recursos humanos, e cobertura.
·
Desempenho do sistema:
acesso, efetividade, continuidade e adequação.
·
Condições de saúde da população:
mortalidade e morbidade.
Destaque-se
que o Grupo Nominal propôs que a dimensão inicialmente denominada como
“determinantes de saúde” fosse entendida como dimensão de “contexto” para a
análise das demais dimensões. Deste modo, estes indicadores de contexto ganham
o sentido de delinear algumas das potencialidades e possibilidades disponíveis
para a gestão municipal da Atenção Básica. Não cabe, assim, estabelecer
relações de determinação entre estes indicadores de contexto e as outras
dimensões analisadas. A Figura 1 abaixo ilustra o modelo lógico.
Figura
1: Modelo lógico – dimensões e sub-dimensões (pós-consenso)
Os
28 indicadores selecionados ficam vinculados a uma das 4 dimensões e
sub-dimensões definidas, conforme quadro abaixo:
Quadro
1: Dimensões e sub-dimensões do modelo lógico e respectivos indicadores
DIMENSÃO
|
SUB-DIMENSÃO
|
INDICADOR
E PERÍODO DE REFERÊNCIA
|
CONTEXTO
|
demográfico
|
1.
População Total – estimativa para 2008
|
CONTEXTO
|
demográfico
|
2.
Densidade
Demográfica, 2008
|
CONTEXTO
|
demográfico
|
3.
Taxa de Urbanização,
censo 2000
|
CONTEXTO
|
demográfico
|
4.
Percentual de
Idosos, 2008
|
CONTEXTO
|
demográfico
|
5.
IPRS 2006-logevidade
|
CONTEXTO
|
sócio-econômico
|
6.
IPRS 2006-riqueza
|
CONTEXTO
|
sócio-econômico
|
7.
IPRS 2006-escolaridade
|
CONTEXTO
|
sócio-econômico
|
8.
PIB per Capita (em
reais correntes), 2007
|
SITUAÇÃO DE SAÚDE
|
mortalidade
|
9.
Coeficiente de
Mortalidade Infantil, 2008
|
SITUAÇÃO DE SAÚDE
|
mortalidade
|
10.
Coeficiente de
Mortalidade Pós neonatal, 2008
|
SITUAÇÃO DE SAÚDE
|
mortalidade
|
11.
Coeficiente de
Mortalidade por Neoplasia Colo do Útero (C53), 2008
|
SITUAÇÃO DE SAÚDE
|
mortalidade
|
12.
CMI por afecções
originadas no período perinatal, 2008
|
SITUAÇÃO DE SAÚDE
|
mortalidade
|
13.
Mortalidade
proporcional por D. Ap. Circulatório < 60 anos, 2008
|
SITUAÇÃO DE SAÚDE
|
morbidade
|
14.
Percentual de nascidos
vivos com peso < de 2,5 KG, 2008
|
SITUAÇÃO DE SAÚDE
|
morbidade
|
15.
Incidência de
sífilis congênita, 2008
|
ESTRUTURA
|
cobertura
|
16.
Percentual de pessoas
cadastradas no PSF, 2008
|
ESTRUTURA
|
recursos humanos
|
17.
Médico Atenção
Básica / habitante, 2008
|
ESTRUTURA
|
cobertura
|
18.
Percentual de Pop.
coberta pela Saude Suplementar, 2008
|
ESTRUTURA
|
financiamento
|
19.
Percentual de despesa
própria com saúde (EC 29), 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
continuidade
|
20.
Percentual de NV
com 7 ou mais cons. pré-natal, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
adequação
|
21.
Razão de exames
citopatológicos de colo uterino em mulheres 25 a 59 anos, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
acesso
|
22.
Cobertura vacinal
tetravalente, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
acesso
|
23.
Num. Consultas Básicas
por Habitante, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
efetividade
|
24.
Percentual de ICSAB
no total de internações, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
efetividade
|
25.
Proporção de casos
novos de tuberculose curados, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
efetividade
|
26.
Taxa de Internação
por AVC de 30 a 59 anos, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
efetividade
|
27.
Taxa internação por
DM 30 a 59 anos, 2008
|
DESEMPENHO DO SISTEMA
|
Adequação
|
28.
Proporção de casos
de DNC encerrados oportunamente, 2008
|
III.
Análise
fatorial e de agrupamento
Esta
análise teve como perspectiva a elaboração de tipologias de municípios a partir
das características comuns e semelhanças identificáveis pelos indicadores
selecionados no Grupo Nominal.
Para a
identificação de tipologias de municípios foram consideradas as dimensões de
Contexto, Estrutura e Desempenho do Sistema. A dimensão de Condições de Vida
foi utilizada para a caracterização das Regiões de Saúde, em momento posterior
à definição das tipologias que pretenderam agregar as variáveis (indicadores)
mais imediatamente relacionadas ao sistema de saúde nas dimensões de estrutura
e desempenho. As variáveis de Contexto se colocam como parte integrante na
identificação destas tipologias.
Os
21 indicadores das dimensões de contexto, estrutura e desempenho do sistema
foram considerados na elaboração da análise.
Para
viabilizar a análise de agrupamento foi, inicialmente, realizado um processo de
resumo de dados por meio de análise fatorial envolvendo os 21 indicadores,
considerados em separado para as dimensões de contexto, estrutura e desempenho.
Foram
incluídas no modelo final apenas as variáveis (indicadores) que apresentaram
correlações satisfatórias em uma matriz de correlação e coeficientes de
adequação também satisfatórios. Para a identificação dos fatores, foram
calculadas as cargas fatoriais rotacionadas das variáveis incluídas.
A
Figura 2, abaixo, ilustra a composição do modelo final, após a análise
fatorial.
Figura
2: Modelo lógico – dimensões e sub-dimensões da Matriz (pós-consenso/ pós
análise fatorial)
Dimensão de Contexto: fatores
identificados e variáveis incluídas no modelo final.
•
Fator
1: População
•
Densidade
demográfica
•
População
•
Fator
2: Riqueza
•
Grupo
do IPRS- riqueza
•
PIB
per capita
Dimensão de Estrutura: fatores
identificados e variáveis incluídas no modelo final.
•
Fator
1: Oferta de serviços
•
Percentual
de pessoas cadastradas no PSF
•
Médicos
(40 horas) por mil habitantes
•
Percent.
de beneficiários da Saúde Suplementar
•
Fator
2: Financiamento
•
Despesa
em saúde per capita- EC29
Dimensão de Desempenho do
Sistema: fatores identificados e variáveis incluídas no modelo final.
•
Fator
1: Internação evitável (efetividade)
•
%
de ICSAB no total das internações
•
Taxa
de internação por DM (30 a 59 anos)
•
Fator
2: Oferta de procedimentos ambulatoriais
básicos
•
Nº
consultas básicas por mil hab.
•
Razão
de exames citopatológicos de colo uterino
•
Fator
3: Vigilância epidemiológica
•
Proporção
de casos de DNC encerrados oportunamente
•
Fator
4: Programa de imunização
•
Cobertura
de vacina tetravalente
A
partir dos fatores gerados em cada uma das dimensões, foi realizada a Análise
de Agrupamento (cluster). Os valores municipais (normalizados pelo escore Z) de
cada um dos fatores foram utilizados na análise de agrupamento para a
constituição dos grupos.
O
município de São Paulo ficou excluído da análise, constituindo ele um elemento
com características especiais que tornaria impróprio qualquer tipo de
agrupamento com outros municípios. Vale lembrar que cerca de 25% da população
do Estado mora no município de São Paulo.
A
dimensão de condições de vida, com os 7 indicadores selecionados, não foi
considerada nessa análise.
IV.
Indicadores
de condições de vida nas Regiões de Saúde
A
partir dos indicadores de condições de vida selecionados pelo Grupo Nominal,
foram calculados os seus valores por região de saúde. O cálculo por região, e
não por município, foi necessário, uma vez que a maior parte dos municípios
paulistas possui população pequena, o que dificulta o cálculo de coeficientes
de eventos menos freqüentes, com ausência de casos no período de um ano. Cerca
de 50% dos municípios paulistas possuem população inferior a 12.700 habitantes.
Para
uma visualização mais fácil das regiões com indicadores de saúde que se afastam
de um padrão mediano, foram gerados mapas para cada um dos indicadores, onde as
Regiões de Saúde foram categorizadas em Alto, baixo e Médio. Na primeira
categoria estão as regiões cujos valores de cada indicador considerado estão
acima do percentil 75; na segunda categoria, as regiões com valores de cada
indicador abaixo do percentil 25; as regiões categorizadas como Médio possuem o
indicador compreendido do percentil 25 ao 75.